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ANTENA FLUMINENSE DE NOTÍCIAS

Notícias e atualidades

POR DENTRO DA POLÍCIA: COMO NASCEM OS MONSTROS.

por Cimberley Cáspio, em 30.11.15

Por Ciro Barros - reproduzido por Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo

 

O ex-soldado da PM, Rodrigo Nogueira, preso em Bangu 6 desde 2009, durante entrevista a Agência Pública, fala de seu livro “Como nascem os monstros”. Foto Bel Pedrosa. Rio 23.06.15

 

Na penitenciária de Bangu, ex-soldado da PMERJ Rodrigo Nogueira Batista fala sobre cultura violenta da corporação, corrupção dos oficiais e o revanchismo entre policiais e criminosos

 

Com quase dois metros de altura, mais de 100 quilos entre músculo e alguma gordura, o ex-soldado da Polícia Militar do Rio de Janeiro Rodrigo Nogueira Batista, de 33 anos, é um “monstro” como a gíria popular classifica os brutamontes do tamanho dele. A orelha esquerda estourada pelos tatames de jiu-jitsu e o nariz meio torto ajudam a compor a figura do ex-PM preso em Bangu 6 (Penitenciária Lemos de Brito).

 

Essa prisão, destinada prioritariamente a ex-policiais, bombeiros, agentes penitenciários e milicianos, faz parte do Complexo Penitenciário de Bangu, bairro da zona oeste do Rio de Janeiro. Preso desde novembro de 2009, Rodrigo foi condenado pela Justiça Militar a 18 anos por furto qualificado, extorsão mediante sequestro e atentado violento ao pudor, a 12 anos e 8 meses no Tribunal do Júri por tentativa de homicídio triplamente qualificado.

 

Segundo a condenação judicial, Rodrigo e seu então parceiro, o cabo Marcelo Machado Carneiro, abordaram a vendedora ambulante Helena Moreira na descida do Morro de São Carlos, onde ela morava. Ela iria à estação de metrô Estácio, no bairro do Estácio de Sá, Rio de Janeiro, e levava na bolsa R$ 1.750. Os policiais a revistaram, roubaram a quantia em dinheiro e sequestraram Helena pensando que ela fosse mulher de algum traficante. Segundo a decisão do juiz Jorge Luiz Le Cocq D’Oliveira, os PMs mantiveram a vendedora sob cárcere privado por quatro horas, onde ela foi agredida e “constrangida a praticar atos libidinosos” antes de ser atingida por um tiro de fuzil no rosto, que teria sido disparado por Rodrigo. Ainda segundo a sentença, a vítima se fingiu de morta após a sessão de tortura e foi à delegacia dar queixa.

 

Rodrigo recorreu da sentença no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele afirma não ter cometido o crime pelo qual foi condenado, mas diz com todas as letras que “não é inocente”,  cometeu “outros erros” como policial, que ele não quer detalhar para não complicar  ainda mais a sua situação.

 

Ele é autor do livro “Como Nascem os Monstros”, da Editora Topbooks, um brutal “romance de não-ficção”, em que mistura suas próprias histórias às histórias de outros colegas, casos de repercussão na crônica policial e “causos” da corporação. No livro, Rodrigo descreve com consistência a transformação de um jovem comum, com vagos ideais de defesa da sociedade e combate ao crime, em um criminoso fardado que usa de sua posição para matar, sequestrar, extorquir e prestar serviços à milícia. O resultado é um quadro aterrador de achaque de oficiais aos recrutas, corrupção dos batalhões e uma ácida interpretação da visão da sociedade em relação à polícia.

 

“Nenhum, eu digo e afirmo, nenhum recruta sai do CFAP [Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças] pronto para empunhar uma arma no meio da rua”, afirma categoricamente o ex-PM. Mas logo ele vai aprender que tem que pagar para tirar férias, para ficar nos melhores postos da corporação e assistir aos oficiais lucrando com a venda de policiamento. “No Morro dos Macacos, ninguém entrava sem autorização do comando. Se um carro fosse roubado, e o bandido fugisse com o veículo para o interior da comunidade, sorte dele (…). Acredite, se um policial adentrar uma comunidade sem autorização do comando, não importa o motivo, ele responderá por descumprimento de ordem. O morro que está ‘arregado’ não tem tiro nem morte, basta estar com o carnê em dia”, denuncia.

 

“Posso garantir que, ao ingressar na corporação, ninguém acredita que um dia vai sequestrar alguém, roubar seu dinheiro, matar essa pessoa e atear fogo ao corpo. Pode até ter uma vontadezinha de atirar em algum bandido (…), mas pensar em tamanha crueldade é impossível”, narra Rodrigo no livro. “Embaixo da casca monstruosa que envolve esse tipo de criminoso, o policial militar que erra, também havia (há?) um homem que um dia estudou, passou no concurso, se formou, fez um juramento e marchava com garbo. Deu orgulho à sua família e, pelo menos uma vez, arriscou morrer pela sociedade.”

 

Tenho diante de mim um monstro: alguém condenado por um crime hediondo, mas, na própria metáfora de Rodrigo, alguém que também é produto de mecanismos cruéis de uma corporação cruel. Ligo o gravador.

 

Essa é a versão dele.

 

Como você entrou na Polícia Militar?

 

Entrei na Marinha com 18 anos, fui aprendiz de marinheiro em Santa Catarina. Sempre gostei muito da vida militar. Logo no começo eu já me desiludi com o militarismo na Marinha. Eu sentia falta de realmente me sentir útil. Quando eu tive que escolher uma especialização na Marinha, não consegui passar nos exames para mergulhador. Sobraram algumas áreas bem ruins e aí resolvi fazer o curso da polícia. Passei no primeiro concurso que  fiz, pedi baixa da Marinha e fiquei aguardando. No fim, eu fui pra polícia.

Mais uma vez veio a desilusão assim que nós nos apresentamos lá no CFAP (Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças da Polícia Militar), onde a maioria dos praças são treinados. O CFAP deveria ser um centro de excelência, mas para você ter uma ideia, no primeiro dia não teve nem almoço pros recrutas. No primeiro dia tivemos só meio expediente e o comando já liberou todo mundo.

 

Você conta no livro que ali começou uma degradação de um rapaz que tinha um ideal, queria defender a sociedade, e começou a tomar contato com a violência e a corrupção na corporação. Como foi isso pra você?

 

O processo de perversão começa no início da formação. Quando cheguei no CFAP, o primeiro contato quando a gente sai do campo para a companhia é um caminho cercado por árvores. Do alto daquelas árvores, os policiais antigos começavam a disparar tiros de festim e soltar bombas. O camarada que deveria ser treinado desde o início pra policiar, já começa a ser apresentado a uma guerra. Dentro do CFAP, a cultura dos instrutores não é formar policiais. É formar combatentes. E aí é que tá o problema: você formar um combatente para trabalhar numa coisa tão complexa quanto o aspecto social que ele vai ser inserido. Um dia o policial tá trabalhando com um mendigo, no outro com um juiz, no outro com um assassino, no outro com um estuprador. Para você preparar um combatente para trabalhar nesse contexto, é muito delicado. Demora muito. Se isso não for muito bem feito você acaba criando monstros.

 

As instruções, as aulas que são ministradas no CFAP desde o início elas começam a mudar o viés do camarada. A minha turma não teve nem aula de direito penal, não teve aula de direito constitucional, não teve aula de filosofia, de sociologia. A gente chegava na sala de aula, sentava, o instrutor falava meia dúzia de anedotas da história da polícia militar e o resto é contando caso (matou fulano, prendeu ciclano). Dentro do próprio ambiente ali, os outros oficiais que coordenavam o curso só tinham um objetivo: deixar o cara aguerrido, endurecido, fazer esse recrudescimento da moral do indivíduo para ele não demonstrar piedade, covardia. Eles acreditam que se o camarada endurecer bastante ele pode preservar a própria vida com isso. Mas isso é ruim: você cria um cachorrinho bitolado que não consegue enxergar as coisas ao redor como elas são.

 

Depois de alguns meses no CFAP, o recruta vai estagiar e trabalhar com os antigos na rua. Como na época era verão, existiam as chamadas Operações Verão. Eles colocam o policial antigo armado e dois ou três “bolas-de-ferro”, como eles chamam os recrutas, justamente por dificultar a movimentação do antigo.

 

Geralmente, os batalhões que recebem esse efetivo do CFAP são os litorâneos. Aí a gente foi pro 31º, no Recreio, 23º, que é o Leblon, 19º, Botafogo, 2º, Copacabana… Eu ficava um pouquinho em cada um.

 

No período de praia, por exemplo, a gente chegava e o antigo ficava angustiado com a nossa presença porque queria pegar o dinheiro do flanelinha, do cara que vende mate, da padaria. Outro exemplo: uma das instruções que os oficiais davam antes do efetivo sair pro policiamento era: “olha, vocês podem fazer o que quiserem, pega o pivete, bate, quebra o cassetete, dá porrada no flanelinha. Só não deixa ninguém filmar e nem tirar foto. O resto é com a gente. Cuidado em quem vocês vão bater, com o que vocês vão fazer e tchau e benção”. A minha turma partiu pro estágio com dois meses de CFAP, dois meses tendo meio expediente e depois rua. E aí, meu camarada, a barbárie imperava: pivete roubando, maconheiro…Quando caía na mão era só porrada e muito gás de pimenta. Foi ali que eu tive contato com as técnicas de tortura que a Polícia Militar procede aí em várias ocasiões. Você vê agora o caso do Amarildo. O modus operandi vai se repetindo, evoluindo, até que toma uma proporção mundial. Eu conheci aqueles recrutas que participaram do caso Amarildo lá no presídio da Polícia Militar e eles foram formados depois do meu livro.

 

O último parágrafo do meu livro diz que os portões do presídio da polícia militar estarão sempre abertos para receber cada novo monstro nascente. E que venha o próximo. E continuam nascendo os monstros, um atrás do outro. Aqueles policiais que participaram do caso Amarildo, pelo menos de acordo com o que o inquérito está investigando, estavam fazendo as mesmas práticas que eu já fazia, que o meu recrutamento já fazia, que outros fizeram bem antes de mim e que já vem de muitos anos. Vem de uma cultura.

 

Como um policial aprende a torturar?

 

É no dia a dia mesmo. O nosso direito dificulta o trabalho do policial em certos aspectos. Por exemplo, um pivete roubou uma coisa de um turista e correu. O policial corre atrás do pivete e pega o pivete. Quando ele consegue chegar no pivete, ele já jogou o que ele roubou fora e ele é menor de idade, não pode ser encaminhado para a delegacia. Porra, mas o policial sabe que ele roubou. E aí entra o revanchismo, a hora da vingança. Primeiro lugarzinho separado que tiver (cabine, atrás de um prédio, dentro dos postos do guarda-vidas) é a hora da válvula de escape. E eu posso assegurar para você: da minha turma do CFAP, de dez que se formaram comigo, nove jamais pensaram que passariam por um processo de desumanização tão grande. O camarada começa a ver um pivete levando choque, spray de pimenta no ânus, no escroto, dentro da boca e não sente pena nenhuma. Pelo contrário, ele ri, acha engraçado.

 

E tem um motivo: se nesse momento que o mais antigo pegou o pivete e começa a fazer isso, se você ficar sentido, comovido por aquela prática, pode ter certeza que vai virar comédia no batalhão, vai ser tido como fraco. Vai ser tido como inapto para o serviço policial. E aí você vai começar a ser destacado, a ser visto como um elemento discordante desse ideal que a tropa criou. Se eu tô com você, mas você não tem disposição pra bancar o que eu tô fazendo com um vagabundo, na hora que der merda é você que vai roer a corda. Na hora que o vagabundo me der tiro, você não vai ter peito pra meter tiro nele. No fim, você vai ser afastado: vai ficar no rancho, na faxina ou em algum baseamento a noite toda.

 

Você vai formando e selecionando por esse critério. Se você é duro, você vai trabalhar na patrulha, no GAT (Grupamento de Ações Táticas), na Patamo (Patrulhamento Tático Móvel)… Agora você que é mais sensato, que não vai se permitir determinadas coisas, não tem condições de você trabalhar nos serviços mais importantes. Não tem como o camarada sentar no GAT se não estiver disposto a matar ninguém. Não tem como. E não é matar só o cara que tá com a arma na mão ali, é matar porque a guarnição chega a essa conclusão: “Não, aquele cara ali a gente tem que matar.” Aí é cerol mesmo. Se você não estiver disposto a participar disso aí, tu não vai sentar no GAT, não vai sentar numa patrulha nunca.


No livro, você descreve o constante clima de guerra e revanchismo entre policiais e traficantes e conta a história do recruta Sampaio

 

É uma das partes verídicas do meu livro, fiz questão de chamar a atenção pra esse caso do Sampaio. Quem sabe para a família também ler e sentir que alguém lembrou dele. Esse caso foi muito sério… Foi pesado pra caraca… [Rodrigo chora]. No livro eu coloco que o protagonista conhecia, mas não tinha muita intimidade com o Sampaio. Eu particularmente conhecia bem o Sampaio. Um dia eu cheguei para trabalhar no CFAP, tava de serviço na guarda. Era sexta-feira de carnaval. Quando eu cheguei, já ouvi a notícia que o Sampaio tinha sido assassinado com 19 tiros, lá em Caxias [Duque de Caxias, município da região metropolitana do Rio]. O Sampaio era filho caçula de uma família relativamente grande, tinha vários irmãos, a mãe dele era uma senhora bem velhinha. Era pra ele estar de serviço comigo naquele dia. Ele ia todo dia pro CFAP de ônibus. Naquele dia, ele ia de carona com um outro companheiro lá do CFAP. Ele tava ali parado no ponto de ônibus, esperando o cara passar de carro e passaram alguns bondes de vagabundos voltando do baile.

 

Ele morava numa área onde tinha traficantes, mas, como ele era recruta e cria da área, ele achou que teria uma tolerância com a presença dele pelo menos até ele se formar e conseguir sair. Ele tava no ponto às cinco da manhã, os vagabundos voltavam do baile e alguém o reconheceu. Eles fizeram a volta e começaram a atirar nele ali. Ele correu, correu muito, quase 800 metros. E foi cair lá perto de uma ruazinha de barro com 19 tiros de calibre .380. Todos eles nas costas. Todos.

 

A gente já chegou no CFAP com essa notícia próximo a nossa formatura. Aí pediram voluntários para a guarda fúnebre e eu fui pro enterro dele. Foi uma representação da polícia lá. E pô, bicho, ali eu vi como… [Rodrigo chora novamente]. Se eu tava rachado, ali foi o ponto de quebra. Pô cara, ele tinha 19 anos. 19 anos…

 

Como o clima de guerra entre criminosos e policiais influencia na formação do policial no dia a dia?

 

Eu vi o Sampaio no caixão com flores até o pescoço, só a cara pra fora, a família dele chorando… O comandante do CFAP nem quis ir ao enterro, nenhum oficial foi. A kombi que a gente usou pra levar o corpo até o enterro, a gente teve que empurrar porque não funcionava. Depois que eu vi esse descaso todo, eu pensava: “porra, o Sampaio morreu. Tomou 19 tiros. Não é possível que vai ficar por isso mesmo”. Não teve uma palestra de alguém pra conversar com a gente, não teve um inquérito, não teve nada. Ninguém sabe até hoje quem deu 19 tiros num recruta que estava desarmado. Ninguém sabe. Ali eu pensei: “se eu der mole, vai ser um contra um e de caixão livre. Alguém vai ter que pagar, isso aqui não vai ficar de graça não. Vou ter que escolher de que lado que eu tô.” E  nos formamos, e comecei a trabalhar na rua.

 

Quando eu cheguei no batalhão, eu não poderia trabalhar numa coisa que fosse muito perigosa. Eles colocaram a gente num serviço de P.O, que é o Policiamento Ostensivo a pé. Eu trabalhei muito na área da Tijuca. Naquela época não tinha UPP ainda, não existia. Então a Tijuca, naquele momento, era uma região muito complicada de se trabalhar pela quantidade de morros ao redor. Eu trabalhava na rua 28 de setembro e no fim dessa rua era o Morro dos Macacos, que era o único morro da facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos) em uma área cercada pelo Comando Vermelho. Era um morro muito forte, os bandidos eram muito aguerridos no combate. Não tinham medo de matar polícia, de dar tiro em polícia. É uma área onde passa muito ladrão, principalmente do Jacarezinho. Eles vinham de lá, atravessavam o túnel Noel Rosa, roubavam na 28 de setembro e voltavam pro Jacarezinho, mudavam de área de batalhão e era difícil de pegar. Ali, bicho,em pleno meio dia eu já dei tiro nos outros em saidinha de banco.

 

A primeira vez que eu disparei a minha arma de fogo foi assim, meio dia e pouco, no Itaú da 28 de setembro. Tinha acabado de assumir o serviço. A gente vinha de ônibus até a 28 de setembro, eu pus os pés na rua e um camarada apontou: “Tão roubando, tão roubando”! Aí eu vi um cara saindo do banco e sentando na moto. Já puxei a arma, falei pra ele parar, e o garupa se encolheu. Aí o motorista acelerou e eu atirei. Só que eu errei e o cara escapou. Ali eu vi que o troço é de verdade, que se der mole, fechar o olho, vai ser baleado. Aconteceu também quando o Borrachinha foi baleado [episódio descrito no livro]. O Borrachinha tomou um tiro de .380 no meio do olho, foi pro hospital. E não passava uma semana sem que alguém próximo a mim tivesse levado um tiro. Policial que era baleado quando tentavam assaltar…. Quando eu tava na patrulha todo dia tinha. Todo dia, quando eu tava trabalhando na DPO, escutava no rádio: “Prioridade, prioridade! Assalto em tal rua!” É porque algum vagabundo tinha dado tiro em patrulha e tava correndo. O GAT quando entrava no Morro dos Macacos, eu tava patrulhando em volta e só ficava escutando o pau roncando lá. E eu só ficava pensando: “pô cara, eu tenho que ir pra lá, quero ir pra lá, quero dar tiro”.  E agora que eu tive tempo pra parar e pensar eu fico vendo como isso é absurdo. É absurdo! Isso é loucura!

 

Eu via essas coisas acontecerem. Rajada de fuzil uma da tarde nos Macacos, seis horas da tarde o cara descarregando uma nove milímetros em cima da patrulha pra poder fugir. Eu via isso acontecendo. Agora eu penso como isso é surreal, é uma guerra. Essa banalização do confronto entre polícia e bandido é singular no Rio de Janeiro.

 

O criminoso aqui no Rio de Janeiro não tem receio de dar tiro no policial, nenhum receio. Não tem receio de jogar uma granada em cima do policial que entra numa favela. Tem noção do que é isso? Escutar uma granada explodindo e você saber que é pra você? Bicho, isso deixa qualquer um pirado. Você tá passando com a sua patrulha e de repente você escuta os tiros atrás. O cara fica louco. Bicho, você dentro de um blindado, parece que você tá no Iraque ou na Síria cara. Quando você embica de blindado dentro de um acesso à favela, é tiro batendo no vidro, na lataria. Granada explodindo. Não tem como o cara não ficar louco. Isso cria um stress no policial que tá ali direto, que fica difícil do policial equacionar isso na cabeça dele.

 

Você imagina uma escala de 24 horas por 72 de descanso. Então o cara chega na segunda-feira, vai trabalhar. Entra no blindado, bota colete, fuzil, carregador e vai pra favela. Troca tiro, leva tiro, mata um, dois, vai pra delegacia levar a ocorrência. Vão pro batalhão. Passa terça, quarta, quinta. Sexta-feira ele entra, vai pra favela de novo, troca tiro de novo, mata mais um. Não tem como se conservar são.

 

O monstro é uma metáfora desse processo de desumanização pelo qual o camarada passa na lida diária do trabalho. Por mais que o cara  tenha tendências homicidas, seja violento, tenha caráter duvidoso antes de entrar na Polícia Militar, quando ele entra isso tudo é potencializado. É a hora disso extravasar.

 

Essa lida contínua com situações de confronto, morte e violência tem que ser encarada de maneira séria pelos gestores da Polícia Militar. A gente tem que parar e pensar: a quem interessa deixar que esse bando de alienados fique na rua matando e levando tiros. A quem interessa isso?

 

No livro você também comenta sobre a participação dos oficiais nesse ciclo de violência e corrupção e chega até mesmo a chamá-los de “chefes de quadrilha”. Você diz que eles estão no comando disso tudo. Como isso acontece?

 

É o coronelismo moderno. No militarismo, não tem como uma coisa seja ela boa ou errada continuar sem a anuência de quem tá no comando. Se eu e você estamos na patrulha e a gente começa a agir de uma maneira que está desagradando o comando, ele vai tirar a gente da patrulha. Se eu e você estamos na patrulha, trocando tiros, matando gente e a gente continua na patrulha, é porque o comando quer que a gente continue. Dentro da estrutura da Polícia Militar, o coronel, o comandante do batalhão é que coordena todo esse esquema que mantém a área do batalhão em funcionamento. Toda área de batalhão no Rio de Janeiro tem ponto de táxi, tem clínica de aborto, tem tráfico de drogas, tem oficina de desmanche, tem jogo do bicho. Essas atividades só podem ocorrer enquanto o policial não vai lá e manda parar. Por que o policial não vai lá pra impedir? Porque ele tem determinação pra não ir. Posso garantir pra você que qualquer policial do Rio de Janeiro que fechar uma banca de bicho na área do batalhão dele, no outro dia ele tá em outro batalhão. Isso se não estiver em outra cidade. E ainda pega fama de “rebelde”, de “problemático”.

 

Há algum tempo teve uma comoção muito grande por conta de uma menina que foi fazer um aborto e faleceu, a Jandira. Todo mundo sabia onde era aquela clínica de aborto. Por que àquela clínica não foi fechada? Se a patrulha for lá e fechar à clínica de aborto, o coronel vai querer saber porque fechou à clínica. “Ah, teve reclamação”. Ok, mas a clínica manda dinheiro pro batalhão pra continuar funcionando. Se o policial se meter nesse esquema, ele vai sofrer algum tipo de consequência. Não é consequência de morte, violência, não. É consequência administrativa. Vai ser encostado de alguma forma e daqui uma semana a clínica vai estar funcionando de novo, pode ter certeza.

 

No batalhão, você tem a administração da lavradura militar e tem as companhias. O comandante da companhia é quem vai definir que tipo de serviço existe dentro das companhias (se o cara vai trabalhar na patrulha, na Patamo, nas cabines…) A patrulha é considerada um serviço bom. Te deixa móvel, você consegue se movimentar bastante dentro da área do batalhão e tem possibilidade de ganhos. Você pode extorquir o usuário de drogas, você pode pegar um ladrão, tomar a arma dele e ficar com o dinheiro dele e vender a arma. É diferente do serviço baseado, que você tem que ficar parado no mesmo lugar o dia todo.

 

Pra você trabalhar nessa patrulha, você tem que ser indicado pelo comandante de companhia, pois é ele quem determina onde cada um vai ficar. Você foi indicado, beleza, vai trabalhar na patrulha. Pra você se manter na patrulha, você vai ter que dar alguma coisa pro comandante de companhia. Porque tem alguém atrás de você que tá querendo ir pra patrulha também. Na minha época, todo mundo que trabalhava na patrulha pagava cem reais por mês pra continuar na patrulha. Cem meu e cem do comandante da patrulha. Toda sexta-feira à noite, o comandante da companhia pegava duzentos reais de cada patrulha, de quem tava de serviço à noite. Isso da patrulha. Mas ele também pega de quem tá trabalhando num subsetor, também pega 200 reais do cara que tava na cabine, mais um dinheiro do camarada que trabalha no trânsito. Quando você vai ver no final do mês, esse pedágiozinho dá uma soma boa pro comandante de companhia.

 

Se o cara que tá no serviço, por exemplo, a patrulha, não quiser pagar, OK. Ele só não vai ficar na patrulha, como será deslocado pra outro serviço. Esse pedágio é uma forma do comandante receber um dinheiro e se blindar. Ele não precisa disputar na rua o dinheiro que ele vai receber, ele recebe dentro do batalhão. É um tipo de achaque e corrupção muito difícil de ser descoberto porque um policial dificilmente vai dizer que o comandante o está extorquindo. Dificilmente vai dizer, dificilmente vai conseguir provar e vai sobrar pra ele.

 

Por que dificilmente ele vai dizer?

 

Porque  se ele falar pro comandante do batalhão que o comandante da companhia tá pedindo cem reais pra ele continuar na patrulha, a primeira coisa que o comandante do batalhão vai dizer é: “você não tá mais na patrulha”. Ele pode tentar produzir provas, colocar uma câmera escondida, tentar ir mais a fundo. Mas aí, meu camarada, ele tá assinando a própria sentença de morte. Aí você tá querendo prejudicar o comandante da companhia, tá querendo prender o cara. Entre a própria tropa é visto como ofensivo, como uma coisa péssima. Isso não vai acontecer nunca.

 

Esse é só mais um exemplo. Quer outro? Pra você tirar férias, você tem que pagar o sargenteante. Olha que absurdo. Esse dinheiro é dividido entre o sargenteante, que é um sargento, e o capitão que é comandante de companhia. Isso tá no filme, lá  no Tropa de Elite, não é mais novidade pra ninguém.

 

Mas não para por aí não. Se você não quer mais trabalhar, você pode chegar no oficial e falar que não quer mais trabalhar. Ele vai falar: “Ok, todo mês o seu salário fica pra mim”. Aí o sargenteante te coloca numa escala fantasma. Ou seja, você não existe mais no batalhão. Você não precisa mais colocar os pés no batalhão. Isso é bom pro cara que trabalha na milícia, no jogo do bicho. O camarada que, por exemplo, tá trabalhando na banca do jogo do bicho. Recebe lá cinco mil por semana pra trabalhar no jogo do bicho. Ir pro batalhão pra ele é ruim porque ele perde o dia de trabalho no bicho. Então ele pega o salário de dois mil reais, deposita na conta do comandante de companhia e não aparece mais no batalhão. Fica só trabalhando no jogo do bicho. Pra ele é mais jogo, porque ele não precisa mais se expor, não precisa botar farda, ter horário, fazer a barba. O interessante pra ele é a carteira de policial e o porte da arma. Isso é muito comum, é fácil de se constatar. Qualquer promotor de justiça que chegar no batalhão de surpresa e disser: “bom dia, eu quero o efetivo do batalhão e a escala de serviço”. Ele vai encontrar, no mínimo, cinco, seis fantasmas. Em qualquer batalhão do Rio de Janeiro. Isso é batata.

 

Esses esquemas nos batalhões da Polícia Militar são muito antigos. Eles fazem parte de uma cultura da polícia. Acabar com esses esquemas vai demandar uma coisa muito complicada, que seria tirar o poder das mãos dos coronéis.

 

Por isso você defende a desmilitarização?

 

É um primeiro passo. Quando você vê um soldado policiando, alguma coisa já tá errada. Ou o camarada é soldado, ou é policial. Ele pode até ser um soldado policial dentro do quartel, mas não na rua. O soldado tem uma premissa que é o quê? Matar o inimigo. O soldado é formado para eliminar o inimigo e o policial não, pelo menos não deveria. O policial, ao contrário do que se acredita em boa parte da sociedade carioca, ele não foi feito pra matar ninguém. O policial não tem inimigo. O camarada que hoje tá dando tiro no policial, ontem pode ter estudado com ele, pode ter frequentado os mesmos lugares que ele. O criminoso é resultado da nossa sociedade, do nosso contexto. O crime é um fato social e o policial não pode enxergar o criminoso como um inimigo. Não é pra matá-lo. Prendeu, leva pra lei tomar as providências dela. Mas o que se convencionou acreditar é justamente o oposto.

 

O coronel, os oficiais, acumulam muito poder em uma figura só. O coronel tem uma área de influência enorme dentro do batalhão dele, ele determina muitas coisas. E o soldado não pode questionar o coronel. O soldado não pode entrar na sala do coronel e falar assim: “Coronel, por que eu não posso abordar aquela van pirata que tá passando ali?” Porque isso já constitui uma transgressão disciplinar. Desde o legalismo do militarismo, até as regras subjetivas que regem a relação entre subordinados e superiores hierárquicos, tudo serve para impedir o camarada de pensar. Ele não pode virar pro comandante e falar: “capitão, não vou pra rua porque o colete tá vencido”. Não pode. Ele pode reclamar do colete, mas não pode reclamar para o capitão que é quem resolveria. Quando você tira o militarismo e coloca os profissionais de segurança em nível equivalente, se o profissional de segurança questionar o coronel por que ele teve que voltar das férias pra trabalhar, o coronel não vai poder responder: “você tá indo porque eu quero. Porque eu tô determinando que você vá. E se você não for, vai ficar preso à disposição”.

 

Você vê que essa confusão de atribuições entre soldado e policial, não se resolvem de maneira fácil. As coisas continuam acontecendo aos olhos  de todo mundo e ninguém faz nada.  Por exemplo, aquele pessoal que tava voltando de uma festa dentro do HB20 branco e que foram perseguidos por uma patrulha. Não teve um estalinho, uma bombinha, nada que viesse do HB20 pra patrulha, e o cara deu 15 tiros de fuzil no carro, num carro em fuga. Só poderia acontecer na cabeça de um soldado, na cabeça de um policial não aconteceria nunca. Um policial iria correr atrás, cercar. Mas ele não ia dar tiro em quem não tá dando tiro nele. Só na cabeça do soldado, que acha que tá na guerra e acha que se não atirar primeiro vai levar tiro.

 

O cara foi lá, deu a sirene e o carro acelerou pra fugir da polícia. “Ah, é bandido, vou dar tiro”. Podia ser alguém bêbado, podia estar todo mundo fazendo uma suruba dentro do carro, podia ter uma cachaça no carro e o cara estar com medo de ser pego, o cara podia não ter habilitação, o cara podia ser surdo… São milhões de coisas, mas o cara não para pra analisar essas coisas porque ele não foi condicionado pra pensar, a contextualizar o tipo de serviço que ele tá fazendo. Ele foi treinado pra quê? Acelerou, correu, bala!

 

Aquelas crianças que estavam brincando na rua, filmando, um correu atrás do outro. Daqui a pouco é tiro pra todo lado e o garoto caiu agonizando. Sabe por que? Preto e pobre correndo na favela é bala. Depois a gente vê o que é. Foi o soldado sobrepujando o policial de novo. Ele tava entrando num território conflagrado. Ele entrou lá pra prender ou pra matar? Pra matar, pô. Se ele tivesse entrado pra prender, a primeira coisa que ele ia fazer quando viu o menino correndo era gritar pra ele parar.

 

A nossa sociedade carioca, principalmente da região metropolitana, criou, até por sofrer muito com os assaltos e tudo mais, um pensamento torto. Quando um policial vai lá e mata um bandido, a sociedade faz o quê? Aplaude. Toda vez que o policial entra em confronto, mata um cara que tava fazendo o arrastão a sociedade aplaude e estimula. Só que o policial militar tem que entender que quando ele errar a sociedade não vai aplaudir não. A sociedade vai sentar pra formar o tribunal do júri e vai condená-lo sem a menor vergonha. Mas ao mesmo tempo, criou-se essa cultura de que o policial tem que matar.

 

Tem uma frase sua no livro que até vai nesse sentido, quando você escreve: “O PM só vale o mal que ele pode causar”. Como é que o PM enxerga essa hipocrisia da sociedade que às vezes exige o policial e às vezes o monstro?

 

Se o PM andar com uma roupa humilde, pegar ônibus pra trabalhar,  se ele não andar demonstrando que tá armado, ele vai ser encarado por aquelas pessoas que o conhecem como um policial bobão que não faz mal pra ninguém. Agora, se ele tá dentro de um Fusion, com uma pistola enorme na cintura, com roupa de marca, cordão de ouro no pescoço e mete a porrada em quem tá fazendo merda perto da casa dele. Se ele se torna algo que realmente traz risco, ele se torna valorizado. “Ih, pô, não mexe com o fulano não. Ele é polícia”. Há uma glamourização desse estado desumanizado. A sociedade valoriza mais o monstro do que o policial e é por isso que ele tá nascendo o tempo todo.

 

As nossas próprias autoridades políticas valorizam a criação dos monstros, mas tem que ter alguém pra eu apontar o dedo na hora que tiver dando merda. As autoridades querem que existam monstros e tem vários exemplos disso. Você lembra do caso do Matemático, que foi perseguido pelo helicóptero? O camarada de helicóptero com uma M60, atirando em um carro em fuga que não deu um tiro nele. Enquanto isso, a esteira de tiros batendo nos muros das casas, nos carros estacionados, em tudo que é lugar. Aquilo ali é o exemplo da hipocrisia e de como as nossas autoridades são parciais. Se fosse uma Patamo fazendo isso, os policiais iriam todos presos. Mas como foi o helicóptero, tá tudo tranquilo. Agora, me diz a diferença entre o cara do helicóptero e os caras do HB20? Não tem diferença nenhuma. Mas o tratamento foi bem diferente. “Ah, aquele PM ali que atirou no carro em fuga, errou. Mas o cara do helicóptero, não, vamos proteger ele porque alguém tem que fazer esse tipo de merda.”

 

O Estado quer que alguns profissionais façam o serviço sujo. Como fizeram com o Matemático, como fizeram com o Bem-te-vi na Rocinha, mas sempre que a coisa começa a chamar muita atenção, eles entregam alguns pra serem açoitados. E com isso a gente vai empurrando. E não enfrentamos nenhum problema.

 

A Polícia Militar não gostou do livro, tanto que ele foi censurado. Eu me ressinto um pouco de não ter previsto isso. Eu até imaginava que teria algum tipo de represália. Depois de escrever o livro, eu pensei em segurar  e lançar quando eu saísse da prisão. Mas as coisas não se resolveram, eu já tava com o livro pronto, a editora tinha gostado e tava querendo publicar. Aí eu lancei o livro enquanto ainda tava no presídio da Polícia Militar. Foi a pior coisa que  fiz. Escrever um livro falando mal da Polícia Militar dentro do presídio da Polícia Militar, que que tu imagina que pode ter acontecido?

 

Cara, quando o livro foi lançado, minha esposa levou 30 exemplares pra distribuir lá no BEP, pra alguns amigos. Eu ia dar pra rapaziada que sabia que eu tinha escrito o livro e queria ler. Quando ela chegou, não deixaram entrar com o livro. “Ah, mas por que não pode entrar com o livro?” “Ordem do comando, não pode entrar com esse livro no presídio.” Minha esposa ficou nervosa e foi lá no plantão do Ministério Público no centro do Rio pra contar o que aconteceu, que o livro foi censurado. Ela contou que  o Tropa de Elite, por exemplo, pode entrar, o livro que o capitão escreveu. Mas o livro que o ex-soldado escreveu não pode. Aí ela foi e relatou isso lá pro Ministério Público e depois de alguns dias o MP oficiou o comando da Polícia Militar solicitando informações sobre o porque da censura prévia. O comando deu lá as explicações dele.

 

Dois dias depois, de madrugada, aconteceu. Entraram quatro policiais, pelo que eu pude perceber, na minha cela, todo mundo com roupa do BOPE, touca ninja, sem identificação. Entraram na minha cela, me acordaram e eu fui pro saco, tomei choque. Saco e choque pra caramba. E eles falaram: “Manda lá a tua esposa retirar a denúncia do Ministério Público, se não tu vai amanhecer suicidado aqui dentro. Na próxima vez que a gente voltar, vai ser pra você se suicidar, entendeu bem?”. Como não entender um recado desse? A minha esposa não foi mais lá, retirou a denúncia e o assunto morreu, ficou por isso mesmo. Eu falei com a minha advogada e ela foi, procurou gente pra denunciar, mas ninguém quis ouvir.

 

O Comando da Polícia Militar se doeu mesmo comigo, tomou como uma coisa pessoal que poderia trazer algum tipo de incômodo pra eles lá em cima. É impressionante como ainda hoje você incomoda se você falar o que você pensa, se você falar a verdade.

 

Teve uma livraria, uma rede de varejo que, por conta do lançamento do livro, queria fazer uma noite de lançamento. Eles queriam fazer o lançamento do livro, falaram com a minha editora e tudo mais. A Justiça autorizou a minha ida até a livraria pra poder fazer a noite de lançamento. Só que, no despacho, o juiz determinou que ficava a critério da Polícia Militar providenciar a escolta pra que eu fosse até o local de lançamento no dia tal, hora tal, pra fazer o lançamento do livro. Só que no dia, a escolta não pode me levar porque ficou empenhada em outra atividade. Ou seja, o comandante providenciou a escolta, mas no dia, disse que não tinha escolta pra me levar. A tentativa era essa, de calar, de evitar que eu falasse.

 

Em que ponto se perde o policial e se ganha o monstro?

 

São vários pontos de quebra. Pra mim foi a morte do Sampaio. Quando eu vi o Sampaio morto, um recruta de 19 anos morto com 19 tiros pelas costas. Ali eu falei: “É guerra, e se alguém atentar contra minha vida, eu vou tacar bala também”. Ali foi que eu percebi a crueza da morte. Essa lida diária com a violência constante é que causa a desumanização. Com a corrupção também, mas ela se torna parte do processo da violência. Porque pra você conseguir pegar o arrego do traficante, você tem que subir o morro e dar tiro nele. Se não o traficante não vai te pagar nada. Traficante não paga pra quem tá baseado na entrada do morro, porque quem tá baseado na entrada do morro não atrapalha o movimento da boca.

 

Essa desumanização vem primeiro com a violência, depois vem com os benefícios pecuniários que você pode ter quando os outros querem evitar a violência. Primeiro eu vou lá, entro no morro, entupo o traficante de bala. Vai descer um, dois, três mortos. Na semana que vem o traficante vai pagar pra não descer mais três mortos. A corrupção é consequência desse estado de violência que o policial tá sujeito o tempo todo.

 

O policial militar tá o tempo todo oprimido: na folga dele, tá oprimido, tem receio de ser reconhecido, assassinado. Pra mim esse ponto de quebra foi perceber que eu estava no meio de uma guerra de verdade. E como o Sampaio, depois vi muitos outros amigos morrendo, fui a muitos enterros, funerais. Mas aí eu já estava mais recrudescido. Tem outro caso que eu conto é o de dois policiais assassinados numa cabine, no Andaraí, o sargento Marco Aurélio e o cabo Peterson. Eles chegaram pra trabalhar, de manhã cedo, e lá na cabine Caçapava o vagabundo matou os dois de .45. O cara fugiu sem levar nada. Cheguei lá pra ver e tava o sargento Marco Aurélio sem a parte de cima da cabeça e o Peterson tava todo cheio de tiros no tórax.

 

Muita gente da minha turma morreu, tá presa, foi excluída. E a fábrica de monstros tá aberta, continua lá. Eles vão preenchendo. Sempre tem gente querendo entrar por causa dessa glamourização do monstro. Todo concurso da PM é 100 mil inscritos, 80 mil inscritos. É muita gente, pô. A relação candidato/vaga é paralela a vários cursos aí da UERJ. A fábrica tá aberta e muita gente quer entrar nela, mas a gente vê que tá tudo errado.

 

Esta reportagem foi financiada coletivamente e escolhida pelos doadores do crowdfunding 

FREIRAS SE TRANSFORMAM EM PROSTITUTAS PARA COMBATER O TRÁFICO HUMANO.

por Cimberley Cáspio, em 30.11.15

Por yahoo - editado p/ Cimberley Cáspio

 

 

Um exército de irmãs religiosas foi transformado em um grande grupo de falsas prostitutas com objetivo de infiltrarem-se em bordéis para descobrir locais que realizam trabalho escravo e tráfico de crianças. No total, a organização já se se expandiu para 140 países, de acordo com um depoimento de seu presidente.

 

John Studzinski, um banqueiro e filantropo, que preside a Talitha Kum, disse que uma rede de 1.100 irmãs opera atualmente em cerca de 80 países, mas a demanda por esforços para combater o tráfico e escravidão está subindo globalmente. O grupo, criado em 2004, estima que 1% da população do mundo é traficada em alguma forma, o que representa um total de 73 milhões de pessoas em números. Destes, 70% são mulheres e metade estão com 16 anos ou menos que isso.

 

"Eu não estou tentando ser sensacionalista, estou tentando sublinhar o fato de que este é um mundo que perdeu a inocência , onde forças das trevas estão ativas", disse Studzinski."Estes são problemas causados pela pobreza e falta de igualdade, mas vão muito além disso", disse ele à Conferência de Confiança às Mulheres em entrevista à Reuters.

 

Detalhando alguns casos envolvendo tráfico e escravidão, Studzinski disse que o tratamento de algumas vítimas é horrível. Ele citou, por exemplo, uma prostituta escravizada que estava presa por uma semana sem comida e foi forçada a comer suas fezes, quando ela deixou de ter relações sexuais com a meta de 12 clientes por dia.

 

Studzinski disse que as irmãs religiosas, no combate ao tráfico de pessoas, vão a todos os focos principais para resgatar mulheres, jovens e crianças, muitas vezes se vestindo como prostitutas e saindo nas ruas para integrarem-se em bordéis.

 

"Essas irmãs não confiam em ninguém. Elas não confiam nos governos, não confiam em corporações, e não confiam na polícia local. Em alguns casos, elas não podem nem confiar no próprio clero masculino", disse ele, acrescentando que o grupo preferiu se concentrar em seu trabalho de resgate em vez da promoção.

 

"Elas trabalham em bordéis. Ninguém sabe quem são, e nem onde elas estão", completou.

MANCHADA POR ACUSAÇÃO DE TRABALHO ESCRAVO NA PRODUÇÃO DE ALIMENTOS, A NESTLÉ FINALMENTE COMEÇA A SE MEXER.

por Cimberley Cáspio, em 29.11.15

Por Nuestromar - editado p/ Cimberley Cáspio

 

              Imagem: gazetadopovo.com.br

 

Uma auditoria abrangente por parte da gigante de alimentos, Nestlé, determinou o abuso de trabalhadores dos produtos da pesca de captura na Tailândia.

 

Empobrecidos trabalhadores migrantes na Tailândia são atraídos por falsas promessas e forçados a trabalharem nas cadeias de abastecimento e processamento de peixe  da gigante mundial de alimentos.

 

A revelação incomum vem da própria Nestle SA, em Genebra, que num ato de autocrítica anunciou os resultados da sua investigação interna. O estudo descobriu que praticamente todas as empresas americanas e europeias que comercializam  frutos do mar da Tailândia estão expostas aos mesmos riscos de abusos trabalhistas em suas cadeias de suprimentos.

 

 A Nestle SA, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, abriu  inquérito em Dezembro de 2014, depois de relatos e denúncias na mídia e por parte de ONGs que investigam às condições de trabalho brutal, o qual, em grande parte não são regulamentados.

 

Suas descobertas ecoam às da Associated Press que vem relatando durante este ano à escravidão na indústria de frutos do mar que resultaram no resgate de mais de 2.000 pescadores escravos, os quais, originários de países vizinhos da Tailândia como Mianmar e Camboja.

 

Os traficantes cobram taxas para fornecer  tripulação e também do trabalho ilegal em navios de pesca, nos portos, fábricas e fazendas de frutos do mar em toda Tailândia. Para os atravessadores de carga humana, é um negócio altamente lucrativo no país do Muay Thai.

 

"Às vezes, quando um pescador cai ao mar, simplesmente desaparece. Quando alguém morre, ele é atirado ao mar." Disse um trabalhador birmanês para à organização sem fins lucrativos Verité, encomendada pela Nestlé.

 

"Eu tenho trabalhado neste barco por 10 anos. Eu não tenho poupança. Eu estou sobrevivendo", disse outro. "A vida é muito difícil aqui."

 

Ao publicar os relatórios, a empresa traçou uma estratégia para solução do problema em 2016 - como parte dos esforços em curso para proteger os trabalhadores. Ela está empenhada em impor novas exigências em matéria de direitos humanos para todos os potenciais fornecedores e proprietários de barcos, como também os mestres das embarcações. A Nestlé também planeja fiscalizar e monitorar os fornecedores, com a presença de auditores externos para garantir que à mudança esteja em andamento.

 

"Como temos dito, o trabalho forçado e abusos de direitos humanos não têm lugar na nossa cadeia de suprimentos", disse Magdi Batato, vice-presidente executivo da Nestlé, encarregado de operações. "Acreditamos que, trabalhando bem mais perto dos fornecedores, possamos fazer uma diferença positiva no fornecimento de ingredientes." Além disso, a empresa tem o compromisso de informar sobre os progressos anualmente.

 

Fonte: The Associated Press.

 

EVO MORALES VAI A MOSCOU PEDIR APOIO PRA REABERTURA MARÍTIMA PRO PACÍFICO.

por Cimberley Cáspio, em 29.11.15

Por Nuestromar - editado p/ Cimberley Cáspio

 

             Imagem: hojeemdia.com.br

 

O presidente Evo Morales e o presidente russo, Vladimir Putin, se encontraram em Teerã, no Fórum  dos Países Exportadores de Gás, para discutir questões relacionadas com a cooperação bilateral em vários domínios, incluindo o apoio técnico-militar, transferência de tecnologia nuclear, a participação russa na extração de gás na Bolívia e, como parte da agenda internacional da Bolívia, também discutiram a reivindicação marítima boliviana.

 

Quanto ao mar, o chanceler David Choquehuanca, relatado por Patria Nueva, Putin solicitou mais informações, mas disse que, se puderem fazer alguma coisa, será somente falar com o Chile sobre a questão. "O presidente Putin disse: Vamos estudar, e compreender." Disse Choquehuanca.

 

Sobre a questão do gás, Putin antecipou que não há interesse em investir na extração de riqueza natural na Bolívia. "Seu país é um dos maiores produtores de gás. As reservas são boas e a companhia Gazprom já está  trabalhando em novas jazidas no país, para no próximo ano realizar novas produções de extração", disse o presidente Russo.

 

Além disso, Putin disse que há interesse em cooperar no domínio da engenharia de energia elétrica e, em alguns setores de alta tecnologia. "Estamos dispostos a trabalhar com você no campo da cooperação técnico-militar", disse Putin a Morales.

 

Mas, certamente, a questão  mais concreta tem a ver com a construção de um centro de pesquisa nuclear com tecnologia russa na cidade de El Alto, na Bolívia. "Nós oferecemos investimento para criar o maior centro para  estudo de tecnologia nuclear no nosso país. Este terá equipamentos avançados, um reator de investigação e um ciclotron. A Rússia irá fornecer tecnologia e apoiar a Bolívia num financiamento de 300 milhões dólares ", disse Morales.

 

Morales ainda acrescentou que será o primeiro centro desse tipo na América do Sul. Por sua parte, Putin disse que está ciente do projeto, e que é claro, o Governo russo vai apoiá-lo."

 

Nesse contexto, Morales prometeu emprestar  apoio ao governo russo para estabelecer um centro de tecnologia nuclear na Bolívia, que se concretizado, ficará a cargo da empresa estatal russa  Rosatom", que vai assumir a construção do centro.

 

12 países exportadores de gás, estavam representados, entre os quais, Argélia, Bolívia, Venezuela, Egito, Irã, Qatar, Líbia, Nigéria, Emirados Árabes Unidos, Rússia, Trinidad e Tobago, Guiné Equatorial, bem como seis outros países com status de observador na organização (Omã, Países Baixos, Peru, Noruega, Cazaquistão e Iraque).

 

Fonte: Diario Correo del Sur - Bolívia

 

 

ONU, MORADORES, SOBREVIVENTES E ONGs. AMBIENTAIS & SAMARCO, VALE, BHP E GOVERNO FEDERAL. QUEM ESTÁ FALANDO A VERDADE?

por Cimberley Cáspio, em 28.11.15

Por Cecilia Jamasmie - reproduzido de MINING.com - editado p/ Cimberley Cáspio

 

        Imagem: Agência Brasil Fotografias

 

A gigante da mineração BHP Billiton (ASX: BHP) está questionando um relatório das Nações Unidas, dizendo que a lama e rejeitos derramados após o desastre da mina brasileira no início deste mês são altamente tóxicos.Contendo arsênio, altos níveis de chumbo, alumínio, crómio, níquel e cádmio,que foram encontrados nas águas do Rio Doce por uma equipe das Nações Unidas e confirmado pela Vale.

 

Agência dos Direitos Humanos da ONU também disse que a BHP e a Vale (NYSE: VALE) não tomaram às medidas necessárias para prevenir os danos causados ​​até agora por metais pesados ​​tóxicos e outras substâncias químicas presentes no meio ambiente atingido.

 

A agência disse ter "novas provas", mostrando que os 50 milhões de toneladas de resíduos de minério de ferro liberados da ruptura da barragem de 05 de novembro da Samarco continha altos níveis de elementos tóxicos, mas não conseguiu nomear os estudos que formaram à base para tal evidência.

 

"A escala do dano ambiental é o equivalente a 20.000 piscinas olímpicas de resíduos de lama tóxica que contamina o solo,os rios e à água do sistema de uma área de mais de 850 quilômetros", disse o Relator Especial da ONU sobre os direitos humanos e o meio ambiente, John Knox, no comunicado.

 

No entanto, ambas as empresas de mineração têm afirmado que a lama, que já atingiu o Oceano Atlântico, não é perigosa.

 

Todavia, a BHP divulgou uma declaração descrevendo os componentes dos rejeitos derramados no Rio Doce. Segundo a empresa, os testes realizados mostram que eles eram compostos de argila e silte de material da lavagem e processamento de terra contendo minério de ferro. "Com base em dados disponíveis, os rejeitos são quimicamente estáveis", disse a empresa. Eles não vão alterar a composição química em água e irá se comportar no ambiente como solos normais na bacia", acrescentou.

 

A Samarco emitiu uma declaração separada (em Português), indicando que novos testes realizados pela SGS GEOSOL Laboratórios após o incidente, confirmam que o resíduo não é perigoso para a saúde humana.

 

Enquanto isso, as ações da BHP perderam valorização de 3,7% em Sydney , fechando abaixo de $ 20, numa clara demonstração crítica da situação do desastre no Brasil, que reflete quedas acentuadas das ações da empresa australiana nas bolsas em todo o mundo.

 

Diante disso, os culpados confessarão o fracasso e incompetência, ou manterão os argumentos com relatórios de empresas de laboratório pagas pelos próprios responsáveis pela tragédia? Em quem confiar, se o inquérito policial e as provas periciais estão sendo "investigados" pelos próprios agentes causadores do desastre, com apoio do governo de Minas Gerais e da União? O governo brasileiro,dono da VALE, proprietária da SAMARCO, também jamais confessará que é parte culpada no problema por total negligência. E o final já é conhecido, a SAMARCO  irá sozinha pro sacrifício.Bom seria que os executivos da SAMARCO fossem presos e fizessem um acordo de delação premiada.

MÉDICOS CONDENADOS POR EXTRAIR ÓRGÃOS DE PESSOAS VIVAS, FORAM SOLTOS PELA JUSTIÇA E SEUS DIPLOMAS MANTIDOS.

por Cimberley Cáspio, em 27.11.15

Por G1 Sul de Minas - editado p/ Cimberley Cáspio

 

Médicos João Alberto Brandão, Cláudio Rogério e Jeferson Skulski foram detidos em Poços de Caldas (Foto: Reprodução EPTV)

 

Médicos acusados por retirada e transplante ilegal de órgãos em Minas Gerais, foram soltos e aguardam o julgamento do habeas corpus em liberdade. Os diplomas foram mantidos, quer dizer, não foram cassados pela Associação de Medicina de Minas Gerais, e a justiça recomendou que eles não podem trabalhar no SUS. Os profissionais, quer dizer, criminosos Jefferson Skulski, João Alberto Góes Brandão e Cláudio Rogério Carneiro Fernandes foram transferidos de Três Corações (MG) para Poços de Caldas (MG), onde participaram de audiência no Fórum, com o juiz Narciso Alvarenga Monteiro de Castro.

 

Durante a audiência, os médicos foram informados das medidas cautelares que devem ser respeitadas durante o período em que aguardam julgamento. Eles estão proibidos de se ausentar de Poços de Caldas por mais de três dias, devem ficar presos em domicílio e estão obrigados a comparecer ao fórum mensalmente. Além disso, os três médicos serão monitorados eletronicamente com tornozeleiras. A decisão do juiz, porém, não implica no trabalho dos profissionais como médicos.

 

Os médicos ficaram presos 102 dias. Segundo Fábio Camargo, advogado de um dos médicos, eles ficaram dois meses em Poços de Caldas (MG) e em seguida foram transferidos para Três Corações (MG).

Os três profissionais foram condenados em primeira instância no chamado “Caso 5”, pela morte de Paulo Lourenço Alves, que de acordo com a Justiça, ainda estaria vivo no momento de retirada de rins e córneas. O caso aconteceu em 2001 em Poços de Caldas (MG).

 

De acordo com a sentença, o urologista Cláudio Rogério Carneiro Fernandes foi condenado a 17 anos de prisão, o radiologista Jefferson Skulski pegou uma pena de 18 anos e o nefrologista João Alberto Góes Brandão foi condenado a 19 anos.

 

Outros três médicos também foram julgados neste processo. Paulo César Pereira Negrão foi condenado a 16 anos de prisão, mas cumpre pena em liberdade. O juiz responsável pelo caso, Narciso Alvarenga Monteiro de Castro, concluiu que a participação dele foi insuficiente para a prisão. Entretanto, eles receberam medidas cautelares.

 

O médico e ex-secretário de Saúde, José Júlio Balducci, foi absolvido e a oftalmologista Alessandra Queiroz Araújo não foi presa porque o juiz entendeu que a pena era pequena e foi prescrita. Os advogados dos médicos informaram que ainda não há novidades no caso em relação ao habeas corpus.

 

Dois dos médicos acusados por este crime – João Alberto Góes Brandão e Cláudio Rogério Carneiro Fernandes  - já foram condenados em outros casos da chamada ‘Máfia dos Órgãos’. Este último chegou a ficar preso por 30 dias pela condenação de 17 anos, por envolvimento no caso do menino Paulo Veronesi Pavesi, o Paulinho, em 2001. O caso ficou conhecido como 'Caso Pavesi' e foi o que deu início às investigações a outros oito casos referentes ao tráfico de órgãos na cidade.

 

O caso denominado como ‘Caso 5’  aconteceu há 15 anos e vitimou Paulo Lourenço Alves, na época com 41 anos. Segundo o processo, a vítima morreu em 15 de janeiro de 2011 no Hospital da Santa Casa. Após a morte encefálica,  as córneas teriam sido retiradas e enviadas para Varginha (MG) e os rins, embora retirados, não foram transplantados.

 

De acordo com a denúncia,  no prontuário da vítima não consta o laudo do exame que comprovaria a morte cerebral do paciente, que teria sido doador cadáver. Não foram encontrados também registros médicos relatando as condições clínicas do paciente e nem foi possível confirmar se as córneas foram encaminhadas para Varginha.

 

Para a promotoria, o paciente que teve os órgãos retirados em 2001 ainda estava vivo antes da cirurgia e os seis médicos que participaram do procedimento foram denunciados pela falha no diagnóstico de morte encefálica e remoção ilegal de órgãos.

 

Para o Ministério Público, há a denúncia de que o paciente havia ingerido bebida alcoólica no dia anterior à internação. Dessa forma, nenhum procedimento a fim de diagnosticar a morte encefálica deveria ter sido realizado, já que o álcool funciona como depressor do Sistema Nervoso Central (SNC). Por isso, os médicos são acusados de ter condutas que teriam como finalidade a morte da vítima para a captação dos órgãos.

 

O nefrologista e intensivista João Alberto Góes Brandão é apontado como o participante de todas as fases da captação, o que é expressamente proibido pela Lei de Transplantes. Segundo o Ministério Público, ele teria assistido ao paciente, mas não teria executado os procedimentos necessários para salvar a vida do mesmo e teria feito o exame para diagnosticar à morte encefálica de forma fraudulenta.

 

O denunciado também procedeu à notificação ao MG Sul Transplantes - entidade considerada clandestina - e também avisou à família sobre à morte cerebral do paciente, obtendo autorização para a doação. Já o urologista e cirurgião Cláudio Rogério Carneiro Fernandes atuou diretamente na extração dos rins do doador.

 

Ainda na denúncia da promotoria, o gastroenterologista Paulo César Negrão atestou o diagnóstico de morte encefálica sem observar parâmetros legais. E o radiologista Jeferson Skulski usou técnica diferente da recomendada na literatura médica para a detecção da morte, o que impossibilitou o diagnóstico correto.

O médico José Júlio Balducci participou como anestesista da cirurgia de retirada de órgãos da vítima. Já a oftalmologista Alessandra Angélica Queiroz Araújo foi responsável pela extração das córneas, mesmo não possuindo autorização legal para realizar transplantes. Para a promotoria, todos os envolvidos sabiam que a vítima poderia ainda estar viva, e ainda assim prosseguiram com a cirurgia, assumindo o risco de morte do paciente.

 

Paulinho Pavesi morreu aos 10 anos após cair, passar por cirurgia e ter os órgãos removidos (Foto: Paulo Pavesi/ Arquivo Pessoal)

 

Os médicos aparecem ainda em outros processos ligados à 'Máfia dos Órgãos'.  O 'Caso 2', que foi julgado recentemente está ligado ao 'Caso 3', que ainda tramita na Justiça e terminou com a morte da vítima Alice Mezavila Tavares, na época com 49 anos, após receber um rim doado por um paciente supostamente assassinado. Ela esperou pelo menos três anos pelo transplante do órgão e segundo a família, as causas apontadas pela Santa Casa foram infecção generalizada e insuficiência renal crônica. Em outro caso, uma vítima de 50 anos não teve os órgãos captados, no entanto, o motivo não consta no prontuário médico. A morte aconteceu no dia 6 de junho de 2001.

 

As investigações de diversos casos referentes à retirada ilegal de órgãos na Santa Casa de Poços de Caldas tiveram início após a morte do menino Paulo Veronesi Pavesi, o Paulinho, em 2000. A criança, na época com 10 anos, teria tido os órgãos removidos enquanto ainda estava viva. Em 2013, três dos médicos envolvidos foram condenados em primeira instância a penas que variam entre 14 e 18 anos  e dois deles passaram um mês detidos no Presídio de Poços de Caldas. Eles conseguiram o direito de recorrer em liberdade, mesmo após as condenações.

 

Há ainda a expectativa de que outros quatro médicos sejam levados à júri popular por conta da morte do Caso Pavesi. No entanto, no começo deste mês, o julgamento deste caso, que acontecia em Belo Horizonte, foi suspenso. O Caso 1 também já foi julgado e condenou os médicos Alexandre Crispino Zincone, João Alberto Góes Brandão, Celso Roberto Frasson Scafi e Cláudio Rogério Carneiro Fernandes em primeira instância.

ELITES DOMINAM E CONTROLAM O SISTEMA JUDICIÁRIO BRASILEIRO.

por Cimberley Cáspio, em 25.11.15

Por Cida de Oliveira - reproduzido da Associação Brasileira dos Jornalistas. 


Imagem:josefranciscoartigos.blogspot.com

 

Há, no sistema jurídico nacional, uma política entre grupos de juristas influentes para formar alianças e disputar espaço, cargos ou poder dentro da administração do sistema. Esta é a conclusão de um estudo do cientista político Frederico Normanha Ribeiro de Almeida sobre o judiciário brasileiro. O trabalho é considerado inovador porque constata um jogo político “difícil de entender em uma área em que as pessoas não são eleitas e, sim, sobem na carreira, a princípio, por mérito”.

Para sua tese de doutorado A nobreza togada: as elites jurídicas e a política da Justiça no Brasil, orientada pela professora Maria Tereza Aina Sadek, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Almeida fez entrevistas, analisou currículos e biografias e fez uma análise documental da Reforma do Judiciário, avaliando as elites institucionais, profissionais e intelectuais.

Segundo ele, as elites institucionais são compostas por juristas que ocupam cargos chave das instituições da administração da Justiça estatal, como o Supremo Tribunal Federal (STF), Superior Tribunal de Justiça, tribunais estaduais, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Já as elites profissionais são caracterizadas por lideranças corporativas dos grupos de profissionais do Direito que atuam na administração da Justiça estatal, como a Associação dos Magistrados Brasileiros, OAB e a Confederação Nacional do Ministério Público.

O último grupo, das elites intelectuais, é formado por especialistas em temas relacionados à administração da Justiça estatal. Este grupo, apesar de não possuir uma posição formal de poder, tem influência nas discussões sobre o setor e em reformas políticas, como no caso dos especialistas em direito público e em direito processual.

No estudo, verificou-se que as três elites políticas identificadas têm em comum a origem social, as universidades e as trajetórias profissionais. Segundo Almeida, “todos os juristas que formam esses três grupos provêm da elite ou da classe média em ascensão e de faculdades de Direito tradicionais, como o Faculdade de Direito (FD) da USP, a Universidade Federal de Pernambuco e, em segundo plano, as Pontifícias Universidades Católicas (PUC’s) e as Universidades Federais e Estaduais da década de 60”.

Em relação às trajetórias profissionais dos juristas que pertencem a essa elite, Almeida aponta que a maioria já exerceu a advocacia, o que revela que a passagem por essa etapa "tende a ser mais relevante do que a magistratura”. Exemplo disso é a maior parte dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), indicados pelo Presidente da República, ser ou ter exercido advocacia em algum momento de sua carreira.

O cientista político também aponta que apesar de a carreira de um jurista ser definida com base no mérito, ou seja, via concursos, há um série de elementos que influenciam os resultados desta forma de avaliação. Segundo ele, critérios como porte e oratória favorecem indivíduos provenientes da classe média e da elite socioeconômica, enquanto a militância estudantil e a presença em nichos de poder são fatores diretamente ligados às relações construídas nas faculdades.

“No caso dos Tribunais Superiores, não há concursos. É exigido como requisito de seleção ‘notório saber jurídico’, o que, em outras palavras, significa ter cursado as mesmas faculdades tradicionais que as atuais elites políticas do Judiciário cursaram”, afirma o pesquisador.

Por fim, outro fator relevante constatado no levantamento é o que Almeida chama de “dinastias jurídicas”. Isto é, famílias presentes por várias gerações no cenário jurídico. “Notamos que o peso do sobrenome de famílias de juristas é outro fator que conta na escolha de um cargo-chave do STJ, por exemplo. Fatores como estes demonstram a existência de uma disputa política pelo controle da administração do sistema Judiciário brasileiro”, conclui Almeida.

 

Por outro lado,não devemos esquecer que, "A 14ª Câmara Cível do tribunal de Justiça do Rio, manteve por unanimidade, à decisão da juíza de primeira instância Andréa Quintella, que condenou Luciana Silva Tamburini a pagar indenização de R$ 5 mil por danos morais ao magistrado João Carlos de Souza Correa. Ele foi parado numa blitz da Lei Seca, embriagado, sem carteira de habilitação, e com o veículo sem placa, em fevereiro de 2011 e se apresentou como juiz. Luciana, que trabalhava como agente da operação, retrucou, dizendo "Você é juiz, mas não é Deus", e recebeu, em seguida, ordem de prisão do juiz por entender que ela o desacatou". "Os magistrados da 14ª Câmara seguiram as decisões do relator, o desembargador José Paes, do dia 22 de outubro. Ainda cabe recurso".



"(...) Não se olvide que apregoar que o réu era "juiz, mas não Deus", a agente de trânsito zombou do cargo por ele ocupado, bem como do que a função representa na sociedade. Em defesa da própria função pública que desempenha, nada mais restou ao magistrado, a não ser determinar a prisão da recorrente, que desafiou a própria magistratura e tudo o que ela representa(...) Por outro lado, todo o imbróglio impôs, sim, ao réu, ofensas que reclamam compensação".


"Após tomar conhecimento de que seu recurso foi novamente negado pela 14ª Câmara, Luciana afirmou que vai recorrer até ao tribunal de Deus para reverter a decisão." -Trecho extraído do Blog Balaio do Kotscho.

 

Fonte: Agência USP

 

R$ 2.631,31 É O MÁXIMO DE MULTA QUE POR LEI O DNPM PODE PRATICAR CONTRA MINERADORA.

por Cimberley Cáspio, em 22.11.15

Por Hyury  Potter - reproduzido do Diário Catarinense

 

Imagem: omontealegrense.com

 

Informações desencontradas, redução de verba e, em alguns casos, a falta de participação dos Estados no cumprimento da Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), criada por lei em 2010, prejudicam a fiscalização de empreendimentos hídricos e minerais no país. O governo de Santa Catarina, por exemplo, não repassa informações sobre as barragens do Estado aos órgãos federais desde 2012. Nesse cenário, o Brasil presenciou uma das maiores tragédias ambientais no início do mês, com o rompimento da barragem de rejeito mineral da empresa Samarco, em Mariana (MG).

 

O desastre parece ter servido de aviso para órgãos federais e estaduais. Na sexta-feira, a direção do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) determinou que as superintendências regionais vistoriem todas as barragens de rejeitos minerais do país. Segundo o superintendente em SC, Victor Bicca, atualmente o Estado possui 10 barragens para armazenar rejeitos minerais. Mas, ao ser alertado sobre uma lista do Ministério Público Federal (MPF) de represas com a mesma finalidade, uma nova unidade surgiu no mapa de fiscalização do órgão:

 

– Há uma barragem de rejeitos finos instalada em Morro da Fumaça, no Sul de SC, que acreditamos estar desativada, mas será incluída na nossa vistoria, que foi um pedido da direção-geral do DNPM. É importante lembrar que temos um Código de Mineração defasado, de 1967, que dificulta até o processo de multa, que em caso de descumprimento de regras de mineração, por exemplo, a pena máxima que o DNPM pode aplicar é de apenas R$ 2.631,31. E a lei 12.334,de 20 de setembro de 2010, não obriga nenhuma mineradora a ter planos de emergência.

 

A falta de informações que deveriam ser repassadas por órgão federais como a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o DNPM, além dos governos estaduais, dificulta o trabalho da Agência Nacional de Águas (ANA), responsável desde 2010 pela elaboração anual do Relatório de Segurança de Barragem (RSB).

 

– A lei estabelece que empresas ou órgãos públicos responsáveis pela operação das barragens devem elaborar planos de segurança para cada unidade. Nesse documento, há diversas medidas que devem ser adotadas de acordo com o grau de risco da barragem, mas nenhuma obrigação de fazer. Se não temos essas informações, a tomada de qualquer decisão em caso de acidente fica mais difícil – diz Flávia Gomes de Barros, coordenadora de fiscalização da ANA.

 

O Relatório de Segurança é elaborado desde 2010 e o governo federal oferece até auxílio para Estados que repassam dados. No entanto, a verba para segurança das cerca de 500 barragens sob a tutela da União diminuiu em 50% entre 2012 e 2014. A reportagem entrou em contato com os ministérios da Integração e do Planejamento, que, até o fechamento desta edição, não encaminharam justificativa para o corte de recursos.

 

No ano passado, três Estados ficaram devendo informações ao órgão federal: Santa Catarina, Goiás e Amapá. No caso catarinense, o silêncio de dados já dura desde 2012. Para o Relatório de Segurança de Barragem de 2015, a ANA encaminhou pedidos aos Estados em setembro, com prazo até janeiro do próximo ano.

 

Por enquanto, não obteve resposta da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável de SC (SDS), responsável pela outorga das barragens com finalidade para uso múltiplo (abastecimento e contenção de cheias) no Estado.

 

Em nota, a SDS informa que dados preliminares do órgão avaliam que o Estado possui 113 barragens. O diretor de recursos hídricos da SDS, Bruno Beilfuss, avisa que, desde o começo deste ano, a secretaria está fazendo o cadastramento das barragens no Estado. O processo só deve ser concluído em janeiro.

 

Cabe à Fatma a checagem do cumprimento da legislação em barragens para uso de rejeito industrial. Segundo a diretora de licenciamento da Fundação do Meio Ambiente do Estado (Fatma), Ivana Becker, não há esse tipo de barragem em operação em Santa Catarina.

 

– Antes da lei federal de Segurança de Barragem, a Fatma já cobrava na licença ambiental a existência de um plano de emergência para barragens. Atualmente, há aproximadamente 110 requerimentos de licença prévia e outras 30 de instalação de barragens em análise na fundação – detalha a diretora.

 

 

COMO DONO DA VALE DO RIO DOCE, PROPRIETÁRIA DA SAMARCO, GOVERNO CONFESSA EM PORTARIA OFICIAL, QUE É CULPADO POR NEGLIGÊNCIA NO DESASTRE EM MINAS GERAIS.

por Cimberley Cáspio, em 21.11.15

Por Portal Brasil

Imagem: youtube

 

O rompimento de duas barragens da mineradora Samarco, em Mariana (MG), foi classificado desde o princípio pelo governo federal como um “desastre tecnológico”, e não como “desastre natural”, como vem sendo erroneamente veiculado nas redes sociais. É o que demonstra a portaria do Ministério da Integração Nacional que reconheceu o estado de emergência no município mineiro.

 

Publicada no Diário Oficial da União no dia 11 de novembro, atendendo a um pedido da própria Prefeitura de Mariana para acelerar a ajuda da União aos afetados pela enxurrada de lama, a portaria foi editada para “reconhecer, em decorrência de rompimento/colapso de barragens, COBRADE: 2.4.2.0.0, a situação de emergência por procedimento sumário no Município de Mariana-MG”.

 

A norma faz referência à Codificação Brasileira de Desastres (Cobrade), que estabelece as regras de classificação para decretos de emergência e calamidade. De início, um desastre pode ser classificado com de dois tipos: os naturais (tipo 1) e os tecnológicos (tipo 2). A codificação, por sua vez, cataloga o “Rompimento/colapso de barragens” dentre os desastres tecnológicos “relacionados a obras civis”. É por isso que o desastre de Mariana foi classificado como 2.4.2.0.0. Todos os desastres que não foram causados pela natureza recebem uma classificação que se inicia com 2.

 

A confusão sobre a posição do governo a respeito do acidente ocorreu por conta de uma interpretação equivocada do Decreto nº 8.572/2015, assinado pela presidenta Dilma Rousseff dois dias depois do reconhecimento do estado de emergência, para liberar o saque parcial do FGTS às vítimas que tiveram suas casas danificadas pelo desastre.

 

A Lei do FGTS (Lei nº 8.036/90), regulamentada pelo Decreto nº 5.113, de 2004, já permitia a movimentação dos recursos do fundo em caso “de necessidade pessoal, cuja urgência e gravidade decorra de desastre natural”, como vendavais, enchentes e deslizamentos de terra.

 

O que o novo decreto fez, por razões humanitárias, foi apenas incluir entre essas possibilidades de saque as consequências do rompimento de barragens, como a enxurrada de lama que atingiu o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana e se espalhou pela bacia do rio Doce. A retirada de recursos é opcional e limitada a R$ 6.220,00.

 

Nesta quarta, o Ministério da Integração Nacional publicou nota esclarecendo que o decreto "não exime" a mineradora Samarco da responsabilidade sobre o desastre.

 

O governo federal, por meio do Ibama, já aplicou multas que totalizam mais de R$ 250 milhões contra a mineradora, e vem cobrando a atuação da empresa na contenção e na reparação dos danos causados pela tragédia. Mas não revela os 66 milhões de dólares em multa cobrados da VALE & BHP Billington

 

 

NÃO HÁ CLIMA NACIONAL PRA NATAL. HÁ MUITA DOR, ANGÚSTIA E SOFRIMENTO.

por Cimberley Cáspio, em 20.11.15

Por Cimberley Cáspio

 

           Imagem:jornal portal do sertão

 

Milhares de mortes, morte por doenças,morte por descaso de profissionais de saúde, morte pela indústria do câncer, morte pela barbárie da violência...De forma geral, fazendo a alegria da máfia funerária e o governo como sócio, que não sabem mais onde guardar tanto dinheiro dessa produção mórbida.


Desemprego ao milhares, e não para. A cada dia, diferentes setores da economia, vão demitindo e jogando trabalhadores nas ruas, e pior, no caso dos estaleiros, não estão recebendo nem o dinheiro das indenizações.


A destruição no sul, devido às chuvas, desalojando e desabrigando. E a cena se repete no nordeste com à seca, flagelando centenas de vidas aprisionadas ao voto cabresto dos Coronéis do Sertão. Quem reclamar,perde o bolsa - família e deixa de receber o caminhão-pipa, isto é, quando o caminhão aparece. Mas de qualquer maneira, o sertanejo mantém à esperança de ver à aparição do caminhão,e até que ele apareça, vai sobrevivendo com à água que tiver a mão,esteja ela perto, ou longe, não importando à qualidade que ela se encontre. 


Sendo assim, a política se materializou literalmente em lama, que além de ceifar dezenas de vidas humanas e animais, desabrigou outras centenas, destruiu e matou o meio ambiente. E no rastro de destruição, fez com que outras centenas e milhares de pessoas, não tenham mais a sua moradia, o meio de subsistência, e o acesso vital à água, com a morte do rio Doce.


E nos distritos rurais e cidades banhadas pelo rio morto, uma onda silenciosa de suicídio começa acontecer, devido o desespero daqueles que perderam às esperanças.


Não há clima nacional pra Natal. O país está de luto. No Brasil, ultimamente, tem morrido muito mais gente por descaso,  ganância, e corrupção política, do que os mortos atingidos pelo ataque nuclear americano em Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945. A devastação das  más ações políticas no país, tem produzido um poder de morte no Continente Brasileiro, muito maior, que uma bomba atômica pode matar. 


Os que sobreviveram e os que ainda sobrevivem, estão vencidos,capitulados diante do poder ocupante, que ainda não se dando por satisfeito, tem planos para agravar ainda mais à opressão e levar mais brasileiros ao expiatório para sacrifício. O que quer dizer que, o número de amputações e morte, ainda vão aumentar, transformando o Brasil, antes conhecido como um lindo país, de um povo alegre e hospitaleiro, num verdadeiro absinto.

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