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ANTENA FLUMINENSE DE NOTÍCIAS

Notícias e atualidades

ADEUS D.MARIINHA !

por Cimberley Cáspio, em 14.03.15

Por Cimberley Cáspio

Resultado de imagem para foto das rezadeiras do Amazonas
Imagem:  mulherescurandeiras.blogspot.com
 

 

Novamente encontrei o taxista,e durante o trajeto da corrida,ele me relatava que conheceu D.Mariinha em Salvador quando era guri. D.Mariinha era rezadeira,parteira e médica dos pobres.Analfabeta,tinha grande conhecimento a respeito das ervas,as quais,ministrava a todos que a recorriam diante de algum mal orgânico. Viúva,morava na periferia em uma propriedade pequena, cercada por árvores,onde quando ainda menino,chegou a brincar com os 3 filhos da rezadeira no quintal da casa. Mesmo sendo uma moradia humilde,o prazer de estar ali e brincar com os filhos de D Mariinha,ainda crianças,era de um prazer que meus pais tinham trabalho em me levar de volta,disse.

 

Se o mal era espiritual,D.Mariinha,usava uma pena de águia,molhada num  tinteiro de caneta,e rezava.Logo,logo,o mal desaparecia. Até passarinheiros,levavam seus passarinhos a D.Mariinha,para ela rezar e tirar o olho grande. Se o mal era orgânico,D.Mariinha ia no mato,trazia umas folhas,galhos,ou flores,fazia um chá, a pessoa bebia,e logo,logo,o mal também desaparecia. Alguns tratamentos levavam até uma semana,mas D.Mariinha sabia o que fazia,e nunca falhou.Nunca morreu uma criança em suas mãos,nunca morreu uma mãe em todo trabalho de parto realizado pela velha rezadeira. 

 

D. Mariinha era uma serva do Senhor,divina,abençoadíssima,a mãe de todos nós.Uma pena que não sabemos reverenciar os sacerdotes,ou sacerdotisas,instrumentos humanos especiais,capacitados da sabedoria divina desde o nascimento,os quais,depois de nos vermos livres dos problemas que levamos a eles,jamais retornamos para presenteá-los e honrá-los,pelo contrário,muitas das vezes,se retornava para novamente pedir socorro.Mas isso era algo que D.Mariinha não se importava,seu prazer era fazer o que tinha que fazer. Reconhecimento ou não,era algo muito pequeno para à rezadeira,pois ela mesma sabia o quanto era grande aos olhos de Deus.

 

Durante as operações de parto,lá ia D.Mariinha atender os apelos da mãe,a beira de dar a luz,e era maravilhoso,quando a rezadeira transferia o bebê dos seus braços,para os braços da mãe.Sucesso total,mãe,filho e rezadeira,tudo correu bem,e a felicidade de mais uma missão cumprida.

 

O taxista me falou que depois viajou para outro estado e ficou muito tempo fora.E assim que voltou a Salvador,já na terceira idade,resolveu visitar o local onde morava D.Mariinha,para saber se ainda estava viva e se passava bem,e muito surpreso,deprimido,arrasado ficou,quando soube que os filhos da rezadeira, a levaram para um asilo. Rodou,rodou e rodou,e quando encontrou o asilo onde D.Mariinha estava,caiu ao chão,ao saber que a rezadeira morreu chorando dia e noite,querendo voltar para a sua casinha,que hoje no local, há uma residência de padrão médio,onde os moradores da casa, me relataram que compraram a propriedade dos filhos de D.Mariinha,finalizou.